sábado, 11 de setembro de 2010

Todo o papel que recebemos

Tem muita coisa que chega até as nossas mãos contra a nossa vontade. E grande parte disso é papel que vai para o lixo. Recebemos um anúncio de uma escola sem ter filhos em casa. A divulgação de um apartamento quando já compramos o nosso ou o telefone da entrega de botijões mesmo com gás encanado no prédio. Em tempos de campanha eleitoral, o problema aumenta. Sem falar nas contas e boletos a pagar. E o resultado disso é uma caixa de correios lotada de mais papel sem função jogado fora.
Nesse sentido, alguns setores já se organizam e estão mudando a forma de pensar o papel que chega até a sua casa. Diferentes operadoras de celular não discriminam todas as ligações junto da fatura e ainda dispensam o envelope, já que a própria conta, enrolada, cumpre a função. Os clientes da operadora Vivo que optam por conferir suas ligações no site também ganham pontos que, no futuro, podem se transformar em novos aparelhos. O programa Conta Online começou no segundo semestre de 2008 e já tem mais de 3,5 milhões de clientes cadastrados.
A grande ideia defendida por quem está engajado em reduzir o uso de papel é a possibilidade de escolher, não dispensar seu uso por completo. O projeto desenvolvido pela rede bancária com colaboração da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) não visa apenas a menor distribuição de papel. O Débito Direto Autorizado (DDA) quer maior segurança no pagamento de boletos através de um sistema que já interliga, por meio de uma linguagem comum, mais de 130 bancos e 5 milhões de pessoas em todo o Brasil. Para o funcionamento completo do DDA, é necessário que cada pessoa se cadastre e decida quais despesas deseja pagar de forma eletrônica com registro. Na outra ponta, imobiliárias, escolas privadas ou redes de serviço também precisam estar cadastradas. Desde o final de 2009, quando o programa começou, mais de 150 milhões de documentos foram pagos por meio do DDA. No futuro, Walter Pinto de Faria, diretor adjunto de Serviços da Febraban, quer que o projeto alcance cobranças como as de água, luz e telefone.

Pequenas ações podem fazer a diferença em meio a tantos papéis:

> Você sabia que é permitido cancelar a sua via do comprovante de uma compra feita com cartão de crédito ou débito? Aquele quadradinho amarelo ou azul enche a sua carteira e nem sempre tem função. Se você não tem o hábito de conferir compra a compra, cancelar pode ser uma boa ideia.

> Também é possível dizer não para um folheto que você não deseja. Pegar a publicidade de um curso de culinária que você já fez e jogar na lixeira pode fazer com que alguém que quer aprender a cozinhar não fique sabendo do curso.

> Para quem aceita o folheto apenas porque quer ajudar o entregador, a professora de comunicação social na ESPM-SP Elisa Rodrigues Larroudé acredita que a mídia exagerada e mal pensada não pode ser justificada porque emprega pessoas:
- É preciso pensar no impacto de forma sistêmica. Quer distribuir folhetos? Então poderia pagar pelo impacto, arcando com a sujeira que fica jogada nas ruas, por exemplo.

Fonte: Zero Hora - 30/08/2010

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