Foi assinado ontem (14/09), em São Carlos, na região de Ribeirão Preto (SP), o contrato de licenciamento do papel sintético ecológico (de plástico reciclado, inédito no mundo), uma tecnologia desenvolvida na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) por mais de dez anos. A Vitopel, que participou das pesquisas, vai comercializar o produto em escala industrial, pelo contrato de cooperação firmado com a universidade. O invento poderá se tornar uma solução ambiental. A empresa investiu R$ 4 milhões no projeto na fase industrial.
A patente do produto pertence à universidade e à empresa e o papel ecológico que ganhou a denominação Vitopaper. A UFSCar receberá royalties da empresa, mas o valor não é divulgado pelas partes. “É um produto efetivo e a sociedade irá aproveitar e utilizar, pois é o sucesso do processo de inovação”, diz o diretor da Agência de Inovação da UFSCar, Paulo Ignácio Fonseca de Almeida. Ele diz que cerca de 100 mil livros didáticos de informática foram impressos e repassados à Escola Paula Souza, em contrato com a Fundação Anchieta.
Segundo o diretor industrial e de tecnologia da Vitopel, Sérgio Fernandes, a prioridade é a indústria gráfica, tanto para livros didáticos quanto produtos promocionais (como agendas para brindes entre outros). O livro “Para onde nós vamos? Os roteiros de viagem da família Müller”, uma aventura ecológica, foi o primeiro publicado usando o Vitopaper, já há alguns meses. Esse produto pode ser impresso com tinta solvente ou emulsão aquosa e destina-se à fabricação de embalagens para DVDs, outdoors, etiquetas, rótulos, mapas, manuais, agendas, envelopes, cartões, catálogos e livros entre outros itens.
A professora do Departamento de Engenharia de Materiais da UFSCar, Sati Manrich, que coordenou o projeto, lembra que os testes em planta-piloto foram satisfatórios. Ela aposta que o produto substituirá o papel de celulose, mesmo o reciclado, que é mais poluente e também usa mais água. “Com uma caneta esferográfica é mais fácil escrever no papel sintético de plástico reciclado, pós-consumo, do que em um papel comum de celulose”, afirma Santi.
A pesquisa começou em 1996, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), e o papel sintético pode durar duas vezes mais que o tradicional. O material de plástico reciclado é triturado e submetido a um tratamento químico desenvolvido pelos pesquisadores. O resultado é a produção de uma película de alta qualidade.
JORNAL DO COMÉRCIO – 15/09/2010
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