terça-feira, 21 de setembro de 2010

O futuro no caminho do polipropileno verde

Depois de desvendar a fórmula exata para produzir em escala industrial o polietileno 100% renovável, a Braskem investe agora na versão verde de um outro polímero, com um nome semelhante e centenas de aplicações.
Trata-se do polipropileno verde – ou PP verde –, uma resina ainda mais resistente a impactos, ideal para revestir peças de veículos e eletrodomésticos.
Disposta a tornar realidade a produção em grandes proporções do PP verde e a ampliar ainda mais o leque de produtos sustentáveis, a Braskem afirmou convênio de R$9 milhões com a Unicamp e com a Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp) em 2008. Desde então, pesquisadores trabalham para encontrar a maneira mais barata e eficaz de tornar o projeto realidade.
Para acelerar o processo, no início deste mês, a Braskem anunciou uma nova parceria. Desde o dia 1º
, estudiosos da empresa e da Unicamp contam com a estrutura e o conhecimento dos cientistas do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (LNBio), em Campinas.
- Estamos procurando uma nova tecnologia, que seguramente será uma ruptura de paradigmas – afirma o diretor de Competitividade e Inovação da Divisão de Polímeros da Braskem, Antônio Queiroz.
O desafio imposto nada tem de modesto. Há dois anos, segundo o professor Gonçalo Guimarães Pereira, chefe do Departamento de Genética da Unicamp,  os cientistas isolam microorganismos vivos e alteram seus genes para que possam produzir propeno – cujas moléculas compõem o polipropileno.
- Com a ajuda da biotecnologia, estamos criando novos organismos com a capacidade de fazer produtos renováveis que a natureza, até então, não era capaz de fazer – explica Pereira.
A expectativa da Braskem é que, em até cinco anos, o processo esteja desvendado e possa ser, finalmente, aplicado em escala industrial.

As aplicações
O polipropileno é uma resina cujas características são o baixo custo, a alta resistência ao impacto e à fratura por flexão ou fadiga, e a facilidade de colocação e moldagem. É encontrada em produtos da linha branca, em partes internas e externas de carros, material de construção civil, brinquedos, copos descartáveis, canetas esferográficas, recipientes para alimentos e remédios, entre outros.

O polipropileno verde (PP verde)
Embora seja possível obter polipropileno verde por meio de processos químicos e bioquímicos, os custos ainda são considerados muito altos. Para descobrir uma forma de produzir a resina em escala industrial, a baixo custo e com alta eficiência, a Braskem fechou parcerias com universidades, empresas e laboratórios. O processo ainda está em desenvolvimento.

ZERO HORA - 20/09/2010

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Reuso da água: solução ambiental e econômica - Tairi Tonon Gomes

Siderurgia Brasil — Edição 55
Uma prática cada vez mais adotada no setor metalúrgico, o reuso da água racionaliza os custos e melhora a imagem das empresas ante a sociedade.
Tairi Tonon Gomes*
Nunca na história da indústria a questão ambiental esteve tão presente. Produzir utilizando a menor quantidade de recursos naturais, não agredir o meio ambiente e adotar práticas de sustentabilidade são requisitos impostos pelo mercado. A adoção de Sistemas de Gestão Ambiental não é mais uma questão isolada, é uma atitude de sobrevivência.
O foco das ações que as indústrias precisam adotar está na resolução dos principais impactos ambientais que ocasionam. Por exemplo, as indústrias siderúrgicas e metalúrgicas são exemplos de atividades que utilizam intensivamente recursos hídricos e energéticos. No Brasil, os recursos energéticos têm uma ampla base de crescimento, apoiados numa matriz de fonte renovável e limpa (hidrelétricas). Mas os recursos hídricos, por mais abudantes que sejam, já estão apresentando forte escassez.
A demanda pela água tratada e potável é um fato notório. O “reuso” torna-se um componente importante no planejamento, desenvolvimento e utilização dos recursos hídricos, representando um potencial emergente que visa à racionalização do uso daquele que é considerado um bem finito e dotado de valor econômico.
O termo água de reuso passou a ser utilizado com mais frequência na década de 80, quando as águas de abastecimento foram se tornando cada vez mais caras, onerando o produto final no processo de fabricação. Como o preço do produto, ao lado de sua qualidade, é o fator determinante para o sucesso de uma empresa, passou-se então a procurar uma solução para o problema. Desta forma, o reaproveitamento dos efluentes aumentou signitivamente, visando à redução dos custos.
É importante enfatizar que as opções de reuso só devem ser consideradas após a implantação das opções de redução do consumo de água. Para a prática adequada do reuso, deve ser identificada a qualidade mínima da água necessária para um determinado processo ou operação industrial (balanço hídrico). Para realizar o reuso de água, é necessário adotar tratamentos que garantam níveis mínimos de qualidade. Atualmente, existe a norma NBR 13.969, que define os padrões e usos para essas águas.
Adoção do Programa de Reuso na Decapagem
Na indústria metalúrgica, os maiores demandantes de água são os setores de decapagem, laminação, revestimento e sistemas de resfriamento. Por exigir uma qualidade inferior nos parâmetros de água, a área da decapagem é um dos poucos departamentos possíveis de identificar oportunidade para a redução do consumo de água, e adoção da água de reuso, especificamente na operação de lavagem de chapas ao final da operação de imersão em solução ácida.
O principal objetivo dos processos de tratamento de superfícies é o de conferir maior vida útil às chapas metálicas retardando os processos corrosivos aos quais estas estão sujeitas. Dependendo do material que compõe a chapa metálica, do tipo de recobrimento a ser aplicado e do uso a que se destina, podem ser empregados, basicamente, dois tratamentos para preparo prévio da superfície: decapagem ácida e fosfatização.
Em função da área e da quantidade de peças a serem tratadas, esses processos empregam volumes elevados de água e geram quantidades apreciáveis de resíduos sólidos e efluentes líquidos. A captação, tratamento e a utilização de grandes volumes de água no processo industrial resultam num consumo maior de produtos químicos com a geração de maior quantidade de resíduos sólidos e efluentes líquidos nas Estações de Tratamento de Água (ETAs), e nas Estações de Tratamento de Efluentes Industriais (ETEs). Com a redução a níveis críticos das reservas de água dos mananciais, o aumento constante do nível de contaminação desses mesmos mananciais e a demanda cada vez mais crescente por este importante recurso natural, torna-se imperiosa a busca por soluções e alternativas.
Essas soluções são encontradas na implantação de um sistema de reuso de água, além da adoção de um Sistema de Gestão Ambiental. Como resultado dessas medidas, em diversas indústrias encontrou-se a redução de 29% no volume total de água consumida, a redução de 20% na quantidade de resíduos sólidos gerados e uma redução de custos que, projetada por um período de um ano, representa uma economia de aproximadamente R$ 509.000,00.
Em termos econômicos, a implantação de um sistema de reuso de água apresenta indicadores financeiros muito interessantes, tendo o retorno do investimento em menos de dois anos. E em termos ambientais, a adoção desse sistema representa a sustentabilidade da empresa perante o meio ambiente e a opinião pública, que cada vez mais tende a olhar positivamente para as empresas “amigas do meio ambiente”.
*Tairi Tonon Gomes é economista graduado pela Unicamp, com atuação na EcoEco – Unicamp. Assessorou pesquisas na área de resíduos sólidos da Brasil Ambiente e tem capacitação pelo Ministério da Ciência e Tecnologia para desenvolver projetos de crédito de carbono.

http://www.siderurgiabrasil.com.br/novosb/component/content/article/141-materias55/1461-reuso-da-agua-solucao-ambiental-e-economica-tairi-tonon-gomes

Postado por Eduardo Sperk

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Papel sintético ecológico pode se tornar solução ambiental

Foi assinado ontem (14/09), em São Carlos, na região de Ribeirão Preto (SP), o contrato de licenciamento do papel sintético ecológico (de plástico reciclado, inédito no mundo), uma tecnologia desenvolvida na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) por mais de dez anos. A Vitopel, que participou das pesquisas, vai comercializar o produto em escala industrial, pelo contrato de cooperação firmado com a universidade. O invento poderá se tornar uma solução ambiental. A empresa investiu R$ 4 milhões no projeto na fase industrial.
A patente do produto pertence à universidade e à empresa e o papel ecológico que ganhou a denominação Vitopaper. A UFSCar receberá royalties da empresa, mas o valor não é divulgado pelas partes. “É um produto efetivo e a sociedade irá aproveitar e utilizar, pois é o sucesso do processo de inovação”, diz o diretor da Agência de Inovação da UFSCar, Paulo Ignácio Fonseca de Almeida. Ele diz que cerca de 100 mil livros didáticos de informática foram impressos e repassados à Escola Paula Souza, em contrato com a Fundação Anchieta.
Segundo o diretor industrial e de tecnologia da Vitopel, Sérgio Fernandes, a prioridade é a indústria gráfica, tanto para livros didáticos quanto produtos promocionais (como agendas para brindes entre outros). O livro “Para onde nós vamos? Os roteiros de viagem da família Müller”, uma aventura ecológica, foi o primeiro publicado usando o Vitopaper, já há alguns meses. Esse produto pode ser impresso com tinta solvente ou emulsão aquosa e destina-se à fabricação de embalagens para DVDs, outdoors, etiquetas, rótulos, mapas, manuais, agendas, envelopes, cartões, catálogos e livros entre outros itens.
A professora do Departamento de Engenharia de Materiais da UFSCar, Sati Manrich, que coordenou o projeto, lembra que os testes em planta-piloto foram satisfatórios. Ela aposta que o produto substituirá o papel de celulose, mesmo o reciclado, que é mais poluente e também usa mais água. “Com uma caneta esferográfica é mais fácil escrever no papel sintético de plástico reciclado, pós-consumo, do que em um papel comum de celulose”, afirma Santi.
A pesquisa começou em 1996, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), e o papel sintético pode durar duas vezes mais que o tradicional. O material de plástico reciclado é triturado e submetido a um tratamento químico desenvolvido pelos pesquisadores. O resultado é a produção de uma película de alta qualidade.

JORNAL DO COMÉRCIO – 15/09/2010

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Empresas devem considerar impactos sociais e ambientais

     A crescente preocupação com a sustentabilidade colocou o verbete como uma prioridade para as empresas. Ontem (13/09/10), em palestra promovida pela associação Lide Sul, o presidente da fabricante de embalagens Tetra Pak, Paulo Nigro, afirmou que apenas as companhias que levarem em conta os impactos ambientais e sociais poderão seguir competitivas.
     “A atividade empresarial precisa ser feita atenta aos impactos sociais e ambientais, embora sempre tendo a preocupação da viabilidade econômica”, disse. Ele lembrou que 55% dos consumidores afirmam já terem tomado atitudes para contribuir com a sustentabilidade, o que amplia as cobranças para que as organizações façam o mesmo.
     O acúmulo de lixo nas grandes cidades se torna um problema que precisa ser combatido, a as empresas têm seu papel nesta batalha, No caso da Tetra Pak, os esforços na área de sustentabilidade estão em organizar e estimular a cadeia seletiva, o que além de gerar matéria-prima para a formação de novos produtos gera emprego e renda.
     “Apenas 6% do lixo produzido nas cidades são reaproveitados. Estamos enterrando dinheiro por não possuirmos uma estrutura e uma legislação de coleta seletiva”, lamentou.
     A Tetra Pak foca seus esforços em melhorar o desempenho dos centros de coleta, treinando mão de obra e fornecendo material para sua atividade. Anualmente, doa 100 prensas a centros de reciclagem. Uma boa notícia foi a criação de um marco regulatório para o setor, com a Lei dos Resíduos Sólidos. “Esta legislação irá nos tirar da idade medieval na coleta de resíduos”, disse Nigro.

JORNAL DO COMÉRCIO - 14/09/2010

sábado, 11 de setembro de 2010

Todo o papel que recebemos

Tem muita coisa que chega até as nossas mãos contra a nossa vontade. E grande parte disso é papel que vai para o lixo. Recebemos um anúncio de uma escola sem ter filhos em casa. A divulgação de um apartamento quando já compramos o nosso ou o telefone da entrega de botijões mesmo com gás encanado no prédio. Em tempos de campanha eleitoral, o problema aumenta. Sem falar nas contas e boletos a pagar. E o resultado disso é uma caixa de correios lotada de mais papel sem função jogado fora.
Nesse sentido, alguns setores já se organizam e estão mudando a forma de pensar o papel que chega até a sua casa. Diferentes operadoras de celular não discriminam todas as ligações junto da fatura e ainda dispensam o envelope, já que a própria conta, enrolada, cumpre a função. Os clientes da operadora Vivo que optam por conferir suas ligações no site também ganham pontos que, no futuro, podem se transformar em novos aparelhos. O programa Conta Online começou no segundo semestre de 2008 e já tem mais de 3,5 milhões de clientes cadastrados.
A grande ideia defendida por quem está engajado em reduzir o uso de papel é a possibilidade de escolher, não dispensar seu uso por completo. O projeto desenvolvido pela rede bancária com colaboração da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) não visa apenas a menor distribuição de papel. O Débito Direto Autorizado (DDA) quer maior segurança no pagamento de boletos através de um sistema que já interliga, por meio de uma linguagem comum, mais de 130 bancos e 5 milhões de pessoas em todo o Brasil. Para o funcionamento completo do DDA, é necessário que cada pessoa se cadastre e decida quais despesas deseja pagar de forma eletrônica com registro. Na outra ponta, imobiliárias, escolas privadas ou redes de serviço também precisam estar cadastradas. Desde o final de 2009, quando o programa começou, mais de 150 milhões de documentos foram pagos por meio do DDA. No futuro, Walter Pinto de Faria, diretor adjunto de Serviços da Febraban, quer que o projeto alcance cobranças como as de água, luz e telefone.

Pequenas ações podem fazer a diferença em meio a tantos papéis:

> Você sabia que é permitido cancelar a sua via do comprovante de uma compra feita com cartão de crédito ou débito? Aquele quadradinho amarelo ou azul enche a sua carteira e nem sempre tem função. Se você não tem o hábito de conferir compra a compra, cancelar pode ser uma boa ideia.

> Também é possível dizer não para um folheto que você não deseja. Pegar a publicidade de um curso de culinária que você já fez e jogar na lixeira pode fazer com que alguém que quer aprender a cozinhar não fique sabendo do curso.

> Para quem aceita o folheto apenas porque quer ajudar o entregador, a professora de comunicação social na ESPM-SP Elisa Rodrigues Larroudé acredita que a mídia exagerada e mal pensada não pode ser justificada porque emprega pessoas:
- É preciso pensar no impacto de forma sistêmica. Quer distribuir folhetos? Então poderia pagar pelo impacto, arcando com a sujeira que fica jogada nas ruas, por exemplo.

Fonte: Zero Hora - 30/08/2010

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Congresso debate sustentabilidade com destaque para utilização de biomassa

Com o objetivo de promover a sustentabilidade em toda a cadeia de produção do setor de celulose e papel, o 43º Congresso e Exposição Internacional de Celulose e Papel, que acontece entre os dias 4 e 6 de outubro, no Transamérica Expo Center, em São Paulo, terá entre os destaques técnicos as mesas-redondas sobre a eficiência energética e o inventário setorial de carbono, entre outros temas importantes. Outra novidade na programação é o Seminário Internacional sobre Biorrefinaria, que vai debater a utilização da biomassa na indústria de celulose.
Em 2008, o Brasil possuía 45,4% de sua matriz energética calcada em recursos renováveis, enquanto a média mundial era de 12,9%. Isso faz do país líder mundial de energias limpas, tendo como exemplo a tecnologia flex, a energia obtida a partir de biomassa e o biodiesel. “É importante se ter em mente que avanços na eficiência energética da indústria brasileira trazem não só a redução no consumo de energia, mas também ganhos ambientais e de competitividade”, ressalta Afonso Moraes de Moura, gerente-técnico da Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP).
Na outra mesa-redonda será apresentado o inventário setorial de carbono, trabalho concluído pela ABTCP recentemente. “Esse inventário será fundamental para a padronização da metodologia dos inventários das empresas, caracterização das emissões e remoções de CO2, além de subsidiar as mitigações das políticas de mudança do clima”, acrescenta Moura.
Pela primeira vez a ABTCP incluiu no programa do congresso um seminário internacional exclusivamente dedicado à biorrefinaria na indústria de celulose. O evento reunirá técnicos e executivos para discutir e compartilhar informações sobre oportunidades de negócios e novas tecnologias relacionadas ao uso de biomassa para a produção, por exemplo, de biocombustíveis.   

JORNAL DO COMÉRCIO - 08/09/2010