O destino no cocô dos cachorros. Esse foi o tema levantado na edição do Nosso Mundo Sustentável (ZH) de 11 de outubro. Convidados a participar de uma enquete no blog, os leitores deveriam escolher a melhor solução para os resíduos dos pets. Entre canteiros destinados apenas às fezes, a liberação dos canteiros que já existem ou o recolhimento dos dejetos com sacolinha, 73,33% dos internautas diz que as sacolas são a melhor opção.
Em Porto Alegre, uma lei obriga os donos de animais a recolherem os resíduos deixados em locais públicos. Pensando nisso, contatamos especialistas para tentar encontrar uma solução bacana para todo mundo.
Números da Associação Nacional dos Fabricantes de Alimento para Animais de Estimação estimam que existam hoje 33 milhões de cachorros em todo o Brasil. Se metade dos cães brasileiros mora em apartamento, por exemplo, e, por isso precisa sair para passear e fazer cocô na rua, seus donos seriam responsáveis por um número significativo de sacolas plásticas em aterros sanitários.
A veterinária Luciana de Almeida Lacerda, do Laboratório de Análises Clínicas da UFRGS, conta que o número de vezes que cães fazem cocô em um dia pode variar muito. A saúde e o condicionamento do animal, os hábitos do dono, o que o bichinho come e a frequência da alimentação estão entre os fatores que influenciam.
Ainda assim, um cão de porte de médio, em geral, faz cocô duas vezes por dia. Fazendo os cálculos, as fezes de 16,5 milhões de cachorros – os que morariam em apartamento – recolhidos com sacola duas vezes por dia alcançaria o número absoluto de 33 milhões de sacolas diárias. Em um mês, os pets e seus donos seriam responsáveis por 990 milhões de sacolinhas em aterros sanitários – o destino mais comum para o lixo orgânico no país.
Alternativa: papel facilita a decomposição
Feitas em sua maior parte de material orgânico, as embalagens plásticas podem fazer com que o cocô, material orgânico, demore mais tempo para se decompor nos aterros sanitários. Além disso, a engenheira química e chefe da equipe de resíduos sólidos da Secretaria Municipal d o Meio Ambiente (Snam), Alessandra Pires, lembra que a melhor forma de facilitar a decomposição dos resíduos sólidos é separar com cuidado o lixo na sua origem. Por isso, recolher os resíduos com jornal ou pape pode ser uma solução interessante.
ZERO HORA - 25/10/10